FMI eleva previsão de crescimento global com impulso da IA, mas alerta para dependência
Fundo elevou de 3% para 3,1% a projeção de crescimento mundial em 2026. Instituição alerta que uma frustração com a tecnologia, somada à guerra e aos juros elevados, pode comprometer a atividade econômica.
Fonte: G1 — 2026-10-14
FMI reduz projeção de crescimento para o Brasil O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou de 3% para 3,1% a previsão de crescimento da economia global em 2026, impulsionado pelos fortes investimentos em inteligência artificial (IA). Segundo o Fundo, o avanço da tecnologia ajuda a compensar os efeitos da guerra no Oriente Médio e da alta dos preços da energia, mas não elimina os riscos para a economia mundial. Apesar do prolongamento da guerra e dos preços do petróleo acima de US$ 100 por barril, o FMI prevê crescimento global de 3,1% em 2026, ligeiramente acima dos 3% projetados em julho. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A projeção faz parte do relatório “Perspectiva Econômica Global”, divulgado durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, em Bangcoc. A estimativa está praticamente em linha com a apresentada em abril, mas abaixo dos 3,5% de crescimento da economia global em 2025. Para 2027, o FMI prevê crescimento global de 3,4%. A estimativa foi mantida em relação a julho e está 0,2 ponto percentual acima da projeção de abril. A ligeira melhora se deve, em grande parte, aos fortes investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. Esse movimento levou o FMI a elevar as projeções de crescimento de grandes economias que desenvolvem plataformas de IA. Também foram beneficiados países que fornecem equipamentos para essa indústria, como Coreia do Sul, Malásia, México e Tailândia. Esse movimento também aparece no comércio internacional. Segundo Tenreyro, as vendas internacionais de produtos ligados à IA cresceram 29% entre 2023 e 2025, mais de três vezes o avanço de 8,3% do comércio global no mesmo período. Sem os produtos ligados à tecnologia, o crescimento do comércio mundial teria sido de apenas 4,6%. “A economia global tem se mostrado resiliente, mas essa resiliência está chegando ao limite. Por isso, precisamos passar de apenas lidar com a situação para reconstruir”, afirmou a economista-chefe do FMI, Silvana Tenreyro, em entrevista coletiva. “Precisamos recompor o espaço fiscal. Precisamos reconstruir a resiliência do lado da oferta”, acrescentou. Segundo Tenreyro, os principais riscos são o prolongamento ou agravamento da guerra no Oriente Médio, que poderia elevar a inflação, a alta dos juros dos títulos públicos e os eventos climáticos extremos associados ao El Niño. O FMI também cita a possibilidade de investidores reavaliarem as expectativas de retorno dos investimentos em IA, o que poderia reduzir os recursos destinados ao setor e derrubar os preços dos ativos. Países e empresas agiram rapidamente para reduzir os efeitos da alta do petróleo. Entre as medidas adotadas estão o uso de reservas, a busca por outros fornecedores e fontes de energia e a redução do consumo de combustível, disse Petya Koeva Brooks, diretora adjunta do Departamento de Pesquisa do FMI, à Reuters. Segundo ela, sem essas medidas, a previsão de crescimento global teria caído para 2,5% neste ano. A capacidade de amenizar os impactos, porém, diminui à medida que a guerra se prolonga. O FMI também apontou uma desigualdade crescente entre os países beneficiados pelo avanço da IA e aqueles que ficam de fora desse movimento. Atualmente, apenas 32 países respondem por 95% do crescimento global, ante 54 em abril. O que o FMI prevê para a economia brasileira em 2027 — e os desafios para retomar o crescimento Os cortes nas projeções também atingem um número maior de países. Desde abril, o FMI reduziu as estimativas de crescimento para 47% das economias analisadas. Entre elas estão vários países que dependem de energia importada e não fazem parte das cadeias produtivas ligadas à IA. Entre os países que tiveram as maiores reduções nas projeções de crescimento estão os do Golfo, diretamente afetados pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Para a Arábia Saudita, o FMI agora prevê uma queda de 3,3% do PIB neste ano. Em julho, a expectativa era de crescimento de 1,7%. Irã, Iraque, Kuwait, Catar e Emirados…
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