Por que a Disney faz tantos remakes em live-action de suas animações?
Fonte: Canaltech — 2026-09-12
Quem acompanha as novidades da Disney nas telonas sabe que o estúdio vem apostando cada vez mais em remakes em live-action de suas amadas animações. O caso mais recente é o de Moana , que trouxe pessoas reais para interpretar personagens clássicos da animação de 2016.
O cenário, no entanto, não é muito animador para a casa do Mickey. Isso porque nem mesmo o apelo de clássicos do estúdio garantem bons resultados de bilheteria quando eles são reformulados para o live-action.
Moana é um ótimo exemplo disso: com US$ 308 milhões arrecadados em todo o mundo e um orçamento de US$ 250 milhões, o live-action deve entrar na lista de um dos maiores fracassos da Disney neste ano, inclusive do próprio formato.
Em contrapartida, o live-action Lilo & Stitch (2025) foi um sucesso estrondoso de bilheteria, arrecadando mais de US$ 1 bilhão ao redor do mundo. O filme foi um respiro para o estúdio depois de algumas tentativas fracassadas para lançar adaptações em live-action de grandes clássicos.
Mas se essa estratégia de lançar um remake atrás do outro é tão inconsistente, por que a Disney continua fazendo live-action de suas animações? O Canaltech analisa esse movimento.
A virada de chave: o sucesso de Alice no País das Maravilhas
Pode até parecer uma estratégia recente, mas a Disney vem apostando em remakes live-action desde a década de 1990, quando Glenn Close deixou sua marca na história do cinema ao interpretar a icônica vilã Cruella de Vil no filme 101 Dálmatas (1996). A década também levou aos cinemas uma versão de Mogli: O Menino Lobo com pessoas de carne e osso, intitulado O Livro da Selva (1994), mas acabou caindo no esquecimento depois do sucesso do filme de Close.
Embora ambos sejam clássicos bastante adorados pelos fãs que cresceram assistindo às histórias da casa do Mickey, foi somente em 2010 que a Disney finalmente passou a enxergar os remakes em live-action como a galinha dos ovos de ouro da empresa. Tudo por causa do lançamento de Alice no País das Maravilhas .
Com Mia Wasikowska no papel titular e Johnny Depp interpretando o Chapeleiro Maluco, o live-action dirigido por Tim Burton modernizou a animação de 1951, transformando a história de Alice em um verdadeiro fenômeno na época. O sucesso foi tanto que o filme ultrapassou o marco de US$ 1 bilhão em bilheteria mundial, rendendo até mesmo o lançamento da sequência Alice Através do Espelho (2016).
Foi o início de uma nova fase da Disney na indústria, onde o estúdio começou a entender que lançar versões em live-action de grandes clássicos da animação poderia lhe render alguns milhões de dólares nas bilheterias.
Isso fica nítido quando olhamos para os lançamentos do estúdio depois do sucesso de Alice no País das Maravilhas. Pouco depois do filme de Tim Burton se tornar um fenômeno de vendas, a Disney aproveitou o interesse das pessoas para lançar outros live-action nos anos seguintes, como Malévola (2014), Cinderela (2015) e A Bela e a Fera (2017).
A partir disso, os remakes foram se consolidando, fazendo com que o público pedisse por mais e mais releituras de animações amadas, uma estratégia que se sustenta até hoje, mesmo a trancos e barrancos.
Por que a Disney continua fazendo live-action de suas animações?
A resposta para a pergunta é simples: remakes de animações clássicas da Disney continuam fazendo bastante dinheiro para o estúdio. Mesmo que, a cada Lilo e Stitch, a empresa lance alguns fracassos, como Moana e Branca de Neve (2025), o fato é que um live-action produzido pela empresa ainda consegue se sustentar na base da nostalgia e da manutenção do valor da marca nos dias atuais.
Com atores reais interpretando personagens icônicos das animações, a Disney consegue levar os fãs dos originais para as salas de cinema, garantindo uma margem de lucro daqueles que gostam do formato. Sem contar que, em um cenário pós-pandêmico onde arriscar uma ideia original pode custar alguns milhões a menos nos bolsos dos executivos, apostar em histórias conhecidas pelo público é…
[Matéria original de Canaltech — clique em "Fonte" abaixo para ler na íntegra.]