Como o smartwatch sabe que você está dormindo? A ciência do relógio
Fonte: Canaltech — 2026-09-07
As luzes que piscam na parte de trás de um smartwatch parecem simples, mas fazem parte de um sistema capaz de transformar sinais invisíveis do corpo em informações que aparecem na tela. É assim que o smartwatch sabe que você está dormindo e estima frequência cardíaca, oxigenação do sangue e movimentos. Por trás desses recursos está uma combinação de sensores ópticos, acelerômetro, giroscópio e algoritmos de inteligência artificial .
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Nenhum desses componentes, sozinho, consegue dizer se uma pessoa está dormindo, correndo ou em sono REM. A interpretação surge justamente do cruzamento de vários sinais captados continuamente.
Para entender como esse processo funciona, o Canaltech conversou com Otávio Penatti, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento em IA para saúde e bem-estar no centro de P&D da Samsung no Brasil, que explicou como os sensores e algoritmos transformam os sinais do corpo em informações compreensíveis para o usuário.
Por que o Galaxy Watch tem luzes verdes na parte de trás?
Um dos principais sensores usados pelo Galaxy Watch é baseado na fotopletismografia , conhecida pela sigla PPG. O princípio é relativamente simples: o relógio emite luz sobre a pele e analisa como ela é absorvida e refletida pelos tecidos.
O sangue interfere nessa resposta óptica. Conforme o coração bate, a quantidade de sangue presente nos vasos próximos à pele muda. Essas pequenas alterações podem ser detectadas pelo sensor.
A luz verde é particularmente eficiente para acompanhar as mudanças no volume sanguíneo relacionadas aos batimentos cardíacos. A partir dessas variações, o relógio consegue estimar a frequência cardíaca.
Outros comprimentos de onda, como o vermelho e o infravermelho, podem fornecer informações complementares. Como a hemoglobina absorve diferentes tipos de luz de maneiras distintas dependendo do nível de oxigenação, esses sinais também podem ser usados para estimar a saturação de oxigênio no sangue (SpO₂). Conforme explica Otávio Penatti:
“As luzes utilizadas pelo sensor óptico permitem acompanhar alterações no fluxo sanguíneo por meio da fotopletismografia, ou PPG."
O smartwatch, portanto, não está literalmente “enxergando” o coração. Ele observa, por meio da luz, mudanças no sangue que circula próximo ao pulso e transforma essas variações em sinais que podem ser processados.
O que o sensor óptico consegue medir?
A fotopletismografia é especialmente útil para acompanhar alterações relacionadas ao fluxo sanguíneo. A partir dela, o relógio consegue estimar a frequência cardíaca e, usando diferentes comprimentos de onda, obter informações que ajudam na estimativa da oxigenação do sangue.
Esses dados também podem ser usados em conjunto com outras métricas. Uma frequência cardíaca de 100 batimentos por minuto, por exemplo, pode ter significados completamente diferentes se a pessoa estiver correndo ou deitada na cama.
É por isso que o sensor óptico não trabalha sozinho. Nos Galaxy Watch, o chamado Sensor BioActive reúne tecnologias para acompanhar diferentes sinais biométricos, enquanto outros sensores ajudam a identificar o comportamento e o movimento do corpo.
“O Sensor BioActive monitora continuamente dados biométricos, enquanto o acelerômetro identifica movimentos e mudanças de posição do pulso”, explica Penatti.
Como o relógio sabe que você está se movimentando?
O acelerômetro e o giroscópio são fundamentais para essa parte. O acelerômetro detecta mudanças de aceleração e movimento em diferentes direções. Já o giroscópio fornece informações sobre rotação e orientação.
Juntos, eles permitem identificar padrões de movimentação muito mais detalhados do que seria possível com um único sensor.
Durante uma corrida, por exemplo, o pulso apresenta movimentos repetitivos. Ao mesmo tempo, a frequência cardíaca tende a aumentar.
O algoritmo pode cruzar essas informações para entender que o usuário está realizando uma atividade física, em vez de…
[Matéria original de Canaltech — clique em "Fonte" abaixo para ler na íntegra.]