Entre Dois Mundos: a diplomacia panda em meio à corrida tecnológica

Em meio à corrida pela inteligência artificial e às tensões geopolíticas sobre Taiwan, a China volta a enviar pandas aos Estados Unidos como um gesto diplomático para sinalizar a intenção de evitar a escalada de conflitos.

Fonte: G1 — 2026-09-28

Por que dois pandas entraram na diplomacia de Trump e Xi Jinping? Dois países estão em meio a uma corrida histórica. Quem vai chegar primeiro numa inteligência artificial que seja superior a todos nós, em todos os sentidos? Especialistas comparam a corrida à época da Guerra Fria, à corrida espacial e à bomba atômica. Em maio deste ano, Xi Jinping e Donald Trump se encontraram na China. Foi a primeira visita de um presidente americano em quase uma década. Os dois queriam demonstrar estabilidade. Mas ninguém saiu de lá dizendo que a rivalidade tinha acabado. O presidente americano levou a Pequim os mesmos bilionários que, nesta semana, estavam sentados à mesa de jantar com Xi Jinping em Washington. Mas, mais uma vez, nesse convescote de gala, não saiu nenhum acordo sobre o que os superpoderosos planejam fazer se esses robôs resolverem se voltar contra a gente. O grande anúncio da semana parece até brincadeira, mas virou manchete mundial: a chegada de dois novos diplomatas aos Estados Unidos, chamados Ping Ping e Fu Shuang — um casal de pandas gigantes. Sobre a chegada dos animais, Xi Jinping destacou: “O panda gigante é um mensageiro da amizade entre chineses e americanos.” Por isso, vale a pena entender o que está em jogo quando a China tira da manga a carta da Diplomacia Panda. A história começou antes de o Partido Comunista chegar ao poder. O governo de Chiang Kai-shek deu dois pandas para o Zoológico do Bronx, em Nova York, em agradecimento pela ajuda americana na Guerra do Japão. Anos depois, Chiang foi derrotado pelos comunistas e levou o governo da República da China para Taiwan. Foi aí que começou a disputa que até hoje envolve a ilha. Chiang passou a governar Taiwan como se ali estivesse a sede do governo de toda a China. Mas quem estava no poder na verdade, no continente, era Mao Tsé-Tung, líder da nova China comunista, que continuou a tradição de dar pandas, mas apenas para os aliados socialistas. Isso mudou em 1972, quando China e Estados Unidos voltaram a se falar com a visita do presidente americano Richard Nixon. Os pandas Ling Ling e Hsing Hsing chegaram a Washington. Nesse mesmo ano, o Japão estabeleceu relações com a China comunista e também recebeu seus pandas. Com a morte de Mao, Deng Xiaoping abriu a economia chinesa ao mercado, e até o panda entrou na nova lógica: a China parou de dar pandas de presente e passou a alugar. A onda começou nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1984. A China alugou dois pandas por seis meses, a US$ 50 mil por mês cada um. Viraram estrelas. Começou uma corrida entre zoológicos do mundo todo. Hoje em dia, o contrato de um panda dura geralmente dez anos e o preço pode chegar a um milhão de dólares por ano por casal. Os animais movimentam o turismo e ajudam a vender souvenires, sendo que o momento que mais atrai visitantes é quando nasce um novo filhote. Mas há uma regra importante: todos os pandas nascidos no exterior pertencem à China e precisam ser devolvidos. Thiago de Aragão, especialista em relações China-América e CEO da Arko Internacional, analisa o valor simbólico dessa prática: “Uma vez que o panda chega no seu país, isso é um gesto de amizade, mas se você trai a minha confiança, eu vou retirar e nós vamos ter que começar do zero, assim como países convocam embaixadores de volta quando existe uma crise, a China faz isso com os pandas." Em novembro do ano passado, a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi mexeu no maior vespeiro ao dizer que uma eventual invasão chinesa a Taiwan poderia levar a uma resposta militar japonesa. A China reagiu na hora: desaconselhou viagens ao Japão e houve cancelamento de voos. O resultado foi que, em dezembro, o número de turistas chineses no Japão caiu quase pela metade. Em janeiro, os dois últimos pandas do Japão voltaram para a China. Pela primeira vez em mais de cinquenta anos, o Japão ficou sem pandas. A China nem precisa fazer um grande anúncio de retaliação: basta esperar o contrato chegar ao fim. O mesmo já tinha acontecido nos…

[Matéria original de G1 — clique em "Fonte" abaixo para ler na íntegra.]

Ler a matéria completa em G1

Ver no DILIGENCE News