Bill Gates dispara novo alerta e diz que IA pode causar 1 bilhão de mortes

Fonte: Canaltech — 2026-09-29

Bill Gates voltou a alertar para os riscos da inteligência artificial (IA) e afirmou que a tecnologia, quando usada por pessoas mal-intencionadas, já pode ser poderosa o suficiente para provocar eventos capazes de causar 1 bilhão de mortes . Em entrevista ao programa Meet the Press , da NBC, o cofundador da Microsoft defendeu regras obrigatórias para empresas que desenvolvem esses sistemas.

A declaração não significa que Gates espere que uma IA decida, sozinha, matar essa quantidade de pessoas. O cenário citado por ele envolve principalmente o uso da tecnologia por criminosos ou outros agentes para potencializar ataques de grande escala.

“Nunca houve uma arma tão poderosa quanto a combinação de pessoas com más intenções usando as ferramentas de IA mais recentes”, afirmou Gates à apresentadora Kristen Welker. Segundo ele, governos precisam participar da definição de salvaguardas e mecanismos de monitoramento para o setor.

O alerta reforça uma mudança de tom recente do empresário. Em agosto, Gates publicou um texto de quase 6 mil palavras sobre os impactos da IA e defendeu, entre outras medidas, que alguns empregos sejam reservados exclusivamente para seres humanos.

IA pode realmente causar tantas mortes?

Gates não apresentou uma estimativa de probabilidade para um evento desse tipo. A cifra de 1 bilhão de mortes foi usada para ilustrar a escala do dano que, na avaliação dele, ferramentas avançadas poderiam permitir caso fossem utilizadas com objetivos maliciosos.

Entre os riscos discutidos por pesquisadores da área estão o uso de IA para facilitar a criação de armas biológicas, ataques cibernéticos e outras operações que hoje exigem conhecimento técnico especializado.

Na entrevista, Gates disse que deixar apenas as próprias empresas responsáveis pela segurança não seria suficiente. Para o empresário, autoridades e legisladores precisam definir exigências mínimas de monitoramento e proteção, mesmo que isso aumente os custos para a indústria.

Ele afirmou que essas exigências representariam algum custo adicional para as companhias, mas não precisariam desacelerar de forma significativa o desenvolvimento da tecnologia.

A preocupação também envolve sistemas que passam a agir de maneiras não previstas por seus criadores. Em seu texto publicado em agosto, Gates escreveu que modelos de IA já apresentam ocasionalmente comportamentos diferentes daqueles pretendidos pelos desenvolvedores e que sistemas futuros, mais poderosos, podem aumentar esse risco.

O empresário, porém, continua defendendo o avanço da tecnologia. No mesmo ensaio, afirmou que apoiaria uma proposta confiável para desacelerar globalmente o desenvolvimento da IA, mas considera improvável que isso aconteça por causa da competição econômica e geopolítica entre países e empresas.

Gates quer reservar empregos para humanos

Os riscos à segurança são apenas uma das preocupações recentes do fundador da Microsoft. Em 26 de agosto, Gates publicou o ensaio “The turbulent AI era is here. The choices we make now are critical”, no qual também discutiu a possibilidade de milhões de empregos desaparecerem com a evolução da IA e dos robôs .

Uma das propostas apresentadas foi a criação de uma espécie de área “reservada aos humanos”, chamada por ele de Human Reserved. A ideia seria determinar atividades nas quais empresas continuariam obrigadas ou incentivadas a empregar pessoas mesmo quando máquinas já fossem capazes de realizar o mesmo trabalho.

Gates compara o conceito às reservas naturais: são áreas que poderiam receber construções, mas permanecem preservadas porque a sociedade decide que a perda seria grande demais.

O empresário citou como exemplo profissionais que cuidaram de seu pai durante os últimos anos de vida. Para ele, áreas como cuidados de saúde, educação e atendimento de pessoas podem exigir decisões específicas sobre até onde a automação deve avançar.

A proposta não prevê necessariamente uma proibição geral de robôs ou sistemas de IA nesses setores. Gates…

[Matéria original de Canaltech — clique em "Fonte" abaixo para ler na íntegra.]

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