As ambições da China com IA em meio às conversas de Trump com Xi

A BBC visitou a Mongólia Interior, no norte da China, onde a infraestrutura de IA do país avança rapidamente — em 'velocidade chinesa', segundo um trabalhador da região.

Fonte: G1 — 2026-09-24

Ambições da China com IA Wong Yu Liang/ Getty via BBC Nas imensas pastagens da Mongólia Interior, no norte da China, agricultores estão colhendo belas batatas ao lado de novos vizinhos: enormes blocos retangulares que alimentam as plataformas chinesas de inteligência artificial (IA). A região de Ulanqab, com suas estepes e vulcões, é uma fronteira digital improvável. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Ela foi oficialmente, por anos, a "capital da batata" da China. Mas, agora, seus campos também se tornaram o local de construção de diversos centros de dados, no momento em que os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, se reúnem para discutir, entre outras coisas, a segurança da IA. Centenas de trabalhadores, com seus capacetes amarelos, carregam equipamentos pesados para o local da construção, enquanto o soldador lança faíscas dos andaimes de metal. Acima deles, enormes guindastes se movimentam com precisão para construir os telhados e homens se equilibram em escadas para rebocar a alvenaria. Agora no g1 "Esta é a velocidade chinesa", brinca um trabalhador. Ele descreve seu país como "maníaco pela infraestrutura", rindo enquanto se afasta. "Existe uma fase todos os anos. Esta é a segunda fase", explica um engenheiro elétrico. "Haverá muitas outras em seguida." A inteligência artificial está no centro da competição entre a China e os Estados Unidos. Para isso, o poder de computação dos data centers da região é fundamental. LEIA MAIS Os 10 dias que abalaram a corrida da IA: por que líderes do setor agora pedem para 'pisar no freio' Para o Partido Comunista Chinês, estes edifícios são fundamentais para a segurança nacional e econômica do país. Quando estiverem terminados, eles ajudarão a guiar sua missão de incluir a IA em 90% das indústrias e da sociedade até 2030. A inteligência artificial está no centro da competição entre a China e os Estados Unidos. Getty Images via BBC A China não está apenas construindo a infraestrutura. O país também está criando um conjunto de talentos. Jovens engenheiros e pesquisadores, agora, observam o país como um local repleto de oportunidades, em parte, devido às tensões com os Estados Unidos e às restrições à imigração impostas por Donald Trump, que azedaram o "sonho americano" de muitos chineses. "Menos estudantes e pesquisadores estão se mudando para os Estados Unidos e mais estão retornando para a China. É algo muito claro", explica Jack Zhang, da Universidade de Ciência e Tecnologia da China. Ele próprio foi recrutado por um programa de alto nível, depois de estudar na Universidade Yale, nos EUA, e em Cambridge, no Reino Unido. "Eu quis levar parte do trabalho de IA que fazia no laboratório e aplicá-lo à saúde e medicina humana", ele conta. "Isso exige mais recursos, mais pessoas e, às vezes, mais apoio do governo. E pode ser difícil ter acesso a isso no exterior." A expansão das capacidades chinesas em relação à IA é uma das razões que levaram Washington a afirmar que não quer interromper seus desenvolvimentos no setor, mesmo com os alertas da indústria sobre os eventuais perigos da alta velocidade do avanço da tecnologia. "Quem vencer a IA, vence", declarou Trump na semana passada. O CEO (diretor-executivo) da empresa de IA Anthropic, Dario Amodei, pediu que seja mantida a proibição, liderada pelos Estados Unidos, da venda de chips e equipamentos avançados para a China. Para ele, uma liderança chinesa "causaria graves riscos para os Estados Unidos e o mundo". Esta afirmação não é o que o presidente Xi gostará de ouvir ao chegar a Washington, nesta quarta-feira (23/9). O jornal estatal chinês Global Times, que ecoa as opiniões de Pequim, rejeitou os temores dos Estados Unidos como sendo parte de um "roteiro da Guerra Fria" para "conter" a ascensão da China. Mas a preocupação chinesa não é apenas alcançar os Estados Unidos. Pequim também está promovendo um modelo alternativo. O próprio Xi vem incentivando as empresas chinesas de IA a…

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