Estudo do NetLab indica que Kwai descumpre regras do TSE sobre anúncios eleitorais

Pesquisadores apontam falta de detalhamento sobre gastos e alcance e ausência de dados sobre a audiência. Plataforma diz que suas ferramentas atendem a regulamentações do TSE.

Fonte: G1 — 2026-09-26

Prédio do Tribunal Superior Eleitoral é visto durante o entardecer em Brasília Antonio Augusto/Secom/TSE Um estudo do NetLab, laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), aponta que o Kwai não cumpre integralmente as exigências do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para publicidade político-eleitoral e dificulta a fiscalização dos anúncios pagos que circulam na plataforma. O material foi obtido com exclusividade pelo g1. O levantamento não demonstra que anúncios irregulares estejam circulando no Kwai. O problema apontado é a falta de condições para verificar de maneira abrangente se isso ocorre. Segundo o NetLab, essa mesma análise será feita em outras plataformas que oferecem anúncios, como TikTok e Meta (Instagram e Facebook). Segundo o documento sobre o Kwai, a biblioteca de anúncios da rede social não informa com precisão os gastos e a quantidade de pessoas atingidas, não apresenta o perfil do público efetivamente alcançado e limita a busca e a coleta de dados. A NetLab disse que vai apresentar o levantamento ao TSE. O detalhamento de informações e ferramentas é exigido pela Justiça Eleitoral. A regulamentação estabelece que o cumprimento das obrigações de transparência é requisito para o credenciamento de empresas que pretendam oferecer impulsionamento eleitoral, serviço pago por campanhas para ampliar a distribuição de conteúdos. Em resposta ao g1, o Kwai afirmou que seu Plano de Conformidade Eleitoral para 2026 foi revisado e aprovado pelo TSE e que suas ferramentas foram desenvolvidas para atender à regulamentação. A empresa disse que o acesso à ferramenta que permite extrair dados automaticamente para analisar anúncios em escala é possível mediante solicitação pelo Portal de Solicitação de Aplicação da Lei. “Eventuais falhas técnicas identificadas em seu funcionamento serão analisadas pelas equipes responsáveis, com a adoção dos ajustes necessários, quando aplicável”, informou o Kwai. Procurado, o TSE informou que o conteúdo do relatório está sendo avaliado e que "tomará providências" nos termos da resolução que trata da propaganda eleitoral. Em entrevista ao g1, a diretora do NetLab, Marie Santini, explicou que as limitações impedem verificar se há publicidade irregular circulando na plataforma. “O TSE tem que proibir o Kwai de rodar anúncios, porque ele não está atendendo às resoluções. E isso pode estar interferindo na eleição. É uma plataforma que tem uma audiência muito grande na rede brasileira: 40% dos usuários brasileiros usam o Kwai, só que é mais classe C, D e E, não é classe A e B. [...] Tem mais usuários que o LinkedIn e o X e está rodando anúncio sem cumprir a resolução. Então, é um ambiente propício para ter muito anúncio irregular, campanha irregular, e a gente não está conseguindo observar”, afirmou. Agora no g1 O Kwai participou, em 16 de julho, de uma reunião entre o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, e representantes de plataformas digitais para firmar compromissos de combate à desinformação nas eleições. A empresa mantém ainda uma colaboração com o tribunal para disponibilizar orientações oficiais sobre o pleito de 2026 dentro da plataforma. Presidente do TSE, ministro Nunes Marques, em reunião com representantes de plataformas digitais para firmar parcerias contra a desinformação, em 16 de julho de 2026 Luiz Roberto/TSE Os pesquisadores do NetLab avaliaram a Biblioteca de Anúncios Políticos ou Eleitorais do Kwai a partir de 11 critérios baseados nas normas do tribunal. Segundo o estudo, cinco não foram atendidos, três foram cumpridos integralmente e três tiveram atendimento parcial ou não puderam ser plenamente verificados. A equipe analisou ainda funcionalidades de busca, consulta, filtragem e extração de dados. O levantamento foi encerrado em 16 de setembro de 2026. Os cinco descumprimentos apontados são: Gastos: divulgação de faixas de valores, sem informar quanto foi efetivamente desembolsado por anúncio. Alcance: apresentação de intervalos amplos de exibições, sem…

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