Documentos revelam que cúpula do TikTok ignorou alertas de exploração de crianças
Fonte: Canaltech — 2026-10-21
Funcionários do TikTok alertaram repetidamente a direção da empresa sobre riscos de exploração sexual de crianças e adolescentes na plataforma, mas não receberam respostas consideradas suficientes para resolver os problemas. Documentos judiciais divulgados nesta terça-feira (20) também mostram que a rede social tinha conhecimento de falhas em ferramentas de proteção e de possíveis danos à saúde mental de jovens.
As informações foram reveladas pela rádio pública americana NPR. Os documentos incluem depoimentos de ex-funcionários apresentados à Justiça dos Estados Unidos em março de 2026, como parte de processos que acusam o TikTok e outras redes sociais de prejudicar menores de idade.
Um dos principais problemas envolve o TikTok Live, ferramenta de transmissões ao vivo da plataforma. Segundo os depoimentos, crianças e adolescentes apareciam em conteúdos de natureza sexual e recebiam pagamentos de espectadores por meio de presentes virtuais, que podem ser convertidos em dinheiro.
A empresa também ficava com uma parcela dos valores movimentados nessas transações, o que levantou questionamentos sobre um possível benefício financeiro decorrente da exploração de menores.
TikTok sabia que crianças apareciam em lives com conteúdo sexual
Reagen Maher, que ocupou cargos de liderança nas equipes de segurança e investigação do TikTok entre 2021 e 2024, afirmou ter passado meses tentando convencer executivos a tomar medidas contra a exploração sexual de menores.
Em uma conversa interna apresentada à Justiça, a ex-funcionária relatou que parte dos responsáveis pela plataforma não considerava os danos graves o suficiente para justificar novas ações.
"Estou lutando há meses para resolver isso com pessoas que não acham que os danos são graves o suficiente", escreveu Maher, em tradução livre.
Uma investigação interna identificou 112 mil transmissões ao vivo com a presença de crianças e adolescentes de 13 a 15 anos somente em janeiro de 2022 .
O número considera lives com a participação de menores e não significa que todas as transmissões apresentavam conteúdo sexual. Ainda assim, o levantamento identificou riscos de aliciamento por adultos e produção de material de abuso sexual infantil.
Os documentos também apontam que o TikTok obteve receitas significativas de presentes virtuais enviados durante transmissões que violavam as regras da plataforma.
Maher afirmou que a direção já conhecia as denúncias antes de uma investigação da Forbes, publicada em 2022, revelar que menores utilizavam o TikTok Live para realizar apresentações sexualizadas em troca de presentes.
A ex-funcionária também disse esperar que a repercussão pública da reportagem pressionasse a empresa a acelerar as soluções.
Falhas permitiam burlar proteção de menores
Os depoimentos revelaram outros problemas nas ferramentas criadas para proteger crianças e adolescentes.
Segundo Maher, menores conseguiam acessar funcionalidades destinadas a adultos ao criar contas usando credenciais do Google, Facebook ou Instagram. A brecha era conhecida pela liderança do TikTok, conforme seu relato.
Outra falha envolvia o Family Pairing, ferramenta lançada em 2020 para permitir que pais e responsáveis supervisionem contas de adolescentes.
Uma conversa interna de 2021 mostrava que existia um link oculto pelo qual os jovens conseguiam desvincular suas contas da supervisão parental . Um gerente da equipe de bem-estar digital chegou a questionar a utilidade da ferramenta diante dessa possibilidade.
O TikTok afirmou à NPR que os responsáveis recebem notificações quando um adolescente desativa o vínculo de supervisão.
Os documentos também indicam que a empresa evitou realizar pesquisas que poderiam revelar a quantidade de crianças com menos de 13 anos na plataforma.
Em uma conversa de 2018, executivos demonstraram preocupação de que os resultados de uma pesquisa sobre a idade dos usuários fossem solicitados pela Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC).
A preocupação…
[Matéria original de Canaltech — clique em "Fonte" abaixo para ler na íntegra.]