A IA pode superar a inteligência humana? Se revoltar? Veja o que dizem especialistas

Com avanço acelerado e sistemas cada vez mais capazes, especialistas explicam os riscos da inteligência artificial, os limites do controle humano e o que pode acontecer nos próximos anos.

Fonte: G1 — 2026-09-19

'Parece lixo de IA': por que plataformas agora estão 'dedurando' conteúdos feitos com IA O ChatGPT foi lançado em 2022. De lá para cá, a inteligência artificial evoluiu em um ritmo acelerado, quase sem freio. Casos recentes em que sistemas de IA saíram do controle e chegaram a invadir sites mostram o desafio de traçar limites. A repercussão nos últimos dias chegou aos executivos de grandes empresas de IA, que até defenderam uma pausa no avanço das tecnologias para tornar seu desenvolvimento mais seguro. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O estopim foi um texto publicado por Dario Amodei, CEO da Anthropic, empresa responsável pelo Claude. "Precisamos desacelerar o ritmo com que aprimoramos as capacidades dos modelos de IA". Afinal, quais são os riscos reais da inteligência artificial para a sociedade? Ela realmente pode se revoltar contra os humanos? Para responder a essas e outras dúvidas, o g1 ouviu especialistas em IA, que explicam a seguir quais são os principais riscos. Logo da OpenAI no celular. Dado Ruvic/Reuters A IA poderia ter vontade própria ou se revoltar contra os humanos? A IA não tem vontade própria, explica Edney Souza, professor da educação continuada da ESPM e especialista em tecnologia e inovação. Segundo ele, a tecnologia apenas completa padrões estatísticos a partir de textos que já existem. "Tudo que parece comportamento estranho ou mentira é uma ideia emprestada da própria base de treinamento, ou seja, dos dados e informações usados para treinar a tecnologia", completa o especialista. Para Diogo Cortiz, especialista em IA e professor da PUC-SP, a IA não tem nenhum tipo de consciência e, por isso, não poderia se revoltar contra os humanos. "O que pode acontecer é que esses modelos estão, de fato, ficando cada vez maiores, resolvendo tarefas mais longas e complexas." Segundo Cortiz, a tecnologia pode tomar alguma decisão que vá contra nossos valores e princípios e, de certa forma, prejudicar a humanidade em determinados níveis de controle. Mas isso seria resultado de um fluxo de processamento, e não porque a IA decidiu conscientemente se revoltar contra nós. Ainda assim, de acordo com Cortiz, as empresas vêm colocando cada vez mais salvaguardas e realizando controles de segurança para evitar problemas desse tipo. A IA poderá ter uma inteligência superior à dos humanos? Em memória, busca de padrões e geração de textos e imagens em escala, a IA já superou o desempenho humano há anos. "Isso já é fato registrado, não hipótese", enfatiza Edney Souza. "Em tarefa que não depende de emoção, ela vai continuar ficando superior em cada vez mais domínios, e isso é rápido". "Mesmo que você treine o modelo para levar emoções em consideração, isso não significa que ele passe a sentir. A tecnologia aprende a reconhecer e relacionar palavras ligadas a sentimentos em diferentes contextos", completa. Para Diogo Cortiz, a definição de inteligência é complexa e não tem uma única resposta. O que se vê hoje é uma tecnologia que evolui rapidamente, capaz de realizar tarefas cada vez mais longas e complexas, processar e combinar dados e escrever código em ritmo muito superior ao humano. O objetivo dos grandes laboratórios de tecnologia é alcançar a AGI (Inteligência Artificial Geral), definida como uma IA com capacidade intelectual igual ou superior à dos humanos, afirma Cortiz. Para ele, esse avanço pode levar a uma tecnologia ou até a uma nova espécie, como alguns chamam, com capacidades superiores às humanas em diversas áreas. A IA poderia sair do controle de seus criadores? Os especialistas dizem que sim, uma IA pode sair do controle de seus criadores, e já há casos desse tipo nos últimos meses. Mas eles reforçam que isso não significa que a tecnologia vá agir como o "Exterminador do Futuro". "Não é que a IA vai ganhar consciência, passar a ter desejos e prazeres e decidir acabar com a espécie. Os modelos estão maiores e mais complexos e, dentro do próprio processamento, podem não entender muito bem as…

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