'Trend' dos anos 80 no ChatGPT: o que você está entregando de graça para a IA e como se proteger
Milhões de pessoas em todo o mundo têm usado o ChatGPT e outras ferramentas com inteligência artificial para transformar suas selfies em fotos retrô, mas especialistas alertam que os usuários podem estar compartilhando muito mais do que imaginam.
Fonte: G1 — 2026-10-13
'Trend' dos anos 80 no ChatGPT: o que você está entregando de graça para a IA e como se proteger ChatGPT Cabelão, fotos granuladas e cores neon. Se suas redes sociais parecem ter voltado algumas décadas no tempo, você não está sozinho. Muitas pessoas têm usado ferramentas de inteligência artificial para transformar suas selfies em retratos inspirados nos anos 80. Criadas a partir de prompts no gerador de imagens do ChatGPT que incentivam os usuários a enviar suas próprias fotos, essas imagens são convincentes e fáceis de compartilhar. Isso ajudou a tendência a se espalhar rapidamente pelo Instagram, TikTok e X. Mas, por trás da nostalgia, especialistas alertam que os usuários podem estar compartilhando muito mais do que imaginam. 'Diversão para dados' A popularidade da tendência das fotos inspiradas nos anos 80 reflete uma mudança mais ampla no uso da inteligência artificial generativa. Há poucos anos, as ferramentas de geração de imagens por IA estavam restritas a entusiastas e usuários com conhecimentos técnicos. Hoje, elas estão cada vez mais integradas ao cotidiano, impulsionando desde tendências nas redes sociais até ferramentas de trabalho e aplicativos de consumo. A transformação com estética dos anos 80 é apenas a mais recente de uma série de modas impulsionadas por IA, que já incluiu retratos personalizados da infância, versões de usuários como personagens de fantasia e imagens temáticas para datas comemorativas. Segundo Catarina Doria, especialista em ética da IA, essas tendências virais atraem novos usuários e os incentivam a compartilhar dados pessoais. "Essas tendências acontecem porque são benéficas para as empresas de IA generativa", afirma. "As pessoas são incentivadas a enviar cada vez mais imagens de si mesmas e de outras pessoas." Doria descreve esse fenômeno como "fun for data" ("diversão por dados", em tradução livre para o português): a troca de informações pessoais por entretenimento, muitas vezes sem que os usuários considerem plenamente as implicações dessa escolha. OpenAI afirma que a confiança e a privacidade são fundamentais para seus produtos Getty Images Carissa Véliz, professora associada de filosofia no Instituto de Ética em IA da Universidade de Oxford, no Reino Unido, concorda que os usuários devem pensar cuidadosamente antes de compartilhar informações pessoais com sistemas de inteligência artificial. "Ao enviar fotos para uma IA, você está compartilhando alguns dos dados mais sensíveis que possui", afirma. "As imagens podem conter metadados como localização, mas também fornecem dados biométricos." Informações biométricas, como características faciais, são especialmente sensíveis porque não podem ser facilmente alteradas caso sejam comprometidas. "Você pode trocar sua senha se ela for roubada", diz Véliz. "Mas não pode trocar de rosto." Doria afirma que os riscos podem ser maiores do que os associados a plataformas de redes sociais, como Instagram e Facebook, ou até mesmo a aplicativos de namoro, como o Tinder. Isso porque os usuários costumam enviar várias imagens de alta qualidade, feitas justamente para mostrar seus rostos com clareza. Ela também ressalta que muitas pessoas compartilham informações pessoais detalhadas com chatbots de IA ao conversar sobre trabalho, relacionamentos e interesses. Quando combinados com fotografias, esses dados podem contribuir para a criação de perfis cada vez mais detalhados dos usuários. Publicidade direcionada Mas a privacidade não é a única preocupação. Especialistas também alertam para a incerteza em torno de como os dados compartilhados hoje poderão ser usados no futuro. "Parte do desafio da era digital é que não fazemos ideia de como nossos dados serão utilizados daqui a alguns anos", afirma Véliz. "Nem sabemos exatamente para onde eles vão, porque muitas empresas comercializam essas informações, muitas vezes de forma irresponsável." Tanto Doria quanto Véliz apontam o rápido avanço dos deepfakes gerados por inteligência artificial como um exemplo de…
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