Espelho inteligente mede sinais vitais do corpo usando apenas uma câmera
Fonte: Canaltech — 2026-09-04
Um espelho inteligente desenvolvido por pesquisadores do Inatel consegue analisar sinais vitais sem precisar encostar no corpo do usuário . O equipamento utiliza uma câmera para estimar informações como frequência cardíaca, respiração e nível de oxigênio no sangue a partir da análise do rosto.
O dispositivo é uma das diversas atrações do HackTown 2026 , e o Canaltech pôde acompanhar de perto o seu funcionamento e também testar a tecnologia.
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O sistema processa as imagens captadas pela câmera, identifica alterações na face relacionadas aos sinais vitais e, em cerca de 30 segundos, revela o resultado das medições. Para isso, o usuário precisa ficar sentado em uma cadeira de frente para o espelho e permanecer imóvel para não interferir no processo de medição.
“Usamos uma aplicação em Python para fazer a detecção de imagem. A partir desse processamento que conta com auxílio de inteligência artificial , conseguimos identificar sinais vitais presentes na face, captar essas informações e demonstrá-las quase em tempo real”, explica Arilson Xavier de Souza Costa, engenheiro de computação e um dos desenvolvedores do projeto.
Como o espelho realiza as medições?
A lógica utilizada pelo sistema é semelhante à encontrada em smartwatches que monitoram a frequência cardíaca . Enquanto o relógio utiliza um sensor que emite luz e capta a resposta da pele, o espelho faz essa leitura por meio da câmera, identificando variações relacionadas ao volume sanguíneo .
Aline Patta Marcondes, engenheira de software e também desenvolvedora do projeto, explica que isso é possível porque a pele reflete a luz.
“A gente parte do princípio de que a nossa pele reflete a luz. A olho nu, isso pode não significar muita coisa, mas a câmera consegue enxergar variações que a gente não percebe. Ela identifica mudanças de cor no rosto, e essas variações estão relacionadas ao fluxo sanguíneo”, pontua a especialista.
O projeto começou a ser desenvolvido há cerca de um ano e teve como ponto de partida estudos sobre técnicas de coleta remota de sinais vitais. A equipe analisou pesquisas já existentes sobre o tema e, a partir disso, passou a transformar os conceitos encontrados nos estudos em código.
Precisão e iluminação ainda são desafios
Outro detalhe do processo de desenvolvimento do espelho foi a comparação dos resultados com equipamentos médicos usados como referência. A engenheira de software explica que um dos aparelhos utilizados nos testes foi um oxímetro semelhante aos encontrados em hospitais.
A comparação permitiu aos pesquisadores verificar se os valores apresentados pelo espelho se aproximavam daqueles registrados pelo equipamento médico. A equipe, porém, não informou uma taxa exata de precisão das medições.
Também há pontos que ainda estão em fase de análise por parte dos especialistas, como a interferência da iluminação do ambiente nas medições . Isso acontece porque a tecnologia depende da luz refletida pela pele e captada pela câmera, e mudanças nessas condições podem dificultar a leitura.
“O principal fator que dificulta a coleta é a luz. Aqui no HackTown, inclusive, estamos fazendo uma espécie de teste em campo para validar essa questão. O movimento também interfere, mas conseguimos tratar esse problema de forma mais simples do que a iluminação”, ressalta Arilson.
Tecnologia pode chegar ao celular
A ideia dos desenvolvedores é que, no futuro, a tecnologia não fique restrita ao espelho. Como a solução utiliza uma câmera convencional, ela poderia ser adaptada para funcionar também com a câmera de um smartphone e reduzir a necessidade de equipamentos médicos específicos.
Segundo Aline, uma das possibilidades seria transformar o sistema em um aplicativo . A solução ainda não existe nesse formato, mas poderia permitir que o próprio usuário realizasse as medições em casa. Nesse cenário, seria necessário contar com uma boa iluminação e permanecer estável por pelo menos 60…
[Matéria original de Canaltech — clique em "Fonte" abaixo para ler na íntegra.]