Criminoso admite usar conta bancária de terceiro para vender material de abuso sexual infantil: 'É de uma menina'

Investigação do g1 mostra que criminosos usam códigos em comentários do TikTok para atrair interessados e direcioná-los ao Telegram. Além de contas de terceiros, pagamentos podem ser feitos por PIX ou criptomoedas.

Fonte: G1 — 2026-09-27

⚠️ Aviso: esta reportagem contém conteúdo sensível sobre abuso sexual infantil. Ao final dela, veja como denunciar casos desse tipo. Criminosos usam TikTok para promover de conteúdo de abuso sexual infantil no Telegram Uma investigação do g1 revelou como agem criminosos que comercializam material de abuso sexual infantil na internet. A reportagem mostrou que eles usam o TikTok como vitrine para promover a venda do conteúdo ilegal. A negociação do conteúdo, porém, é feita dentro do aplicativo de mensagens Telegram. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Em um dos casos identificados pelo g1, um criminoso admite usar a conta bancária de um terceiro, a quem chama de "menina". Ele garante, porém, que a transação do interessado não será rastreada, o que não é verdade, segundo a Polícia Federal ouvidos pelo g1. (entenda mais abaixo) "Não [será rastreado], porque esse banco que eu tô usando é de uma menina. Eu recebo muito PIX nele. Já já cai a conta. Daí seu PIX nunca existiu kkkk", afirmou o criminoso. Criminoso usa PIX para vender conteúdo de abuso sexual infantil e diz que comprador não será rastreado. Reprodução Procurado, o Telegram afirmou que proíbe o compartilhamento de conteúdo de abuso sexual infantil e que, apenas neste ano, excluiu mais de 300 mil grupos e canais relacionados a esse tipo de material. O TikTok disse que remove essas postagens rapidamente e bane as contas envolvidas. "Utilizamos tecnologia de ponta e sistemas robustos para monitorar e remover qualquer conteúdo que tente explorar ou causar danos a jovens", completou. As notas enviadas pelas empresas ao g1 estão, na íntegra, no final desta reportagem. Criminosos usam contas das próprias vítimas, diz PF Conteúdo de abuso infantil é divulgado no TikTok A PF aponta que os agressores costumam utilizar contas bancárias de ex-namoradas ou da própria criança ou adolescente que foi vitimado por eles, buscando eliminar qualquer vínculo direto entre o autor do crime e a transação. Para evitar exigências de órgãos de controle como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e o Banco Central, as redes criminosas migram para bancos digitais e fintechs com regulamentação mais frágil. Em alguns casos, elas abrem empresas no setor financeiro para movimentar os recursos sem guardar dados ou responder às autoridades, explicaram os investigadores da PF. O criminoso que disse usar a conta de "uma menina" também informou como chave PIX um endereço de e-mail com final "@estudante.rs.gov.br". O g1 não conseguiu localizar a pessoa mencionada no endereço, que tem nome feminino. Procurada pelo g1, a Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul informou que "está em contato com as autoridades policiais para a apuração desse caso". Embora os criminosos se sintam seguros ao usar o PIX, a transação deixa rastros que podem ajudar na investigação. Os dados da conta de quem faz o pagamento ficam registrados e podem ser usados pela polícia para identificar os compradores. Além disso, bancos tradicionais geralmente identificam como suspeitas transações atípicas ou realizadas a partir de diferentes regiões e, nesses casos, podem bloquear as contas. Pacotes são vendidos a partir de R$ 10 no Telegram Criminoso vende conteúdo até de abuso sexual em chat no Telegram. Reprodução/Telegram Em um dos canais monitorados pelo g1, um dos pacotes custa US$ 25 (cerca de R$ 130) e dá acesso a um grupo privado no Telegram com milhares de vídeos. No mesmo endereço, outros pacotes são vendidos por US$ 11,99 (cerca de R$ 62) e US$ 17,50 (cerca de R$ 90), com diferentes quantidades de conteúdo. Em um deles, que aceita PIX, um pacote com 3 GB de vídeos e fotos custa R$ 10, enquanto outro, com 15 GB, é vendido por R$ 35. Os grupos também anunciam diferentes categorias de conteúdo de abuso sexual infantil, incluindo material com violência sexual, como estupro e incesto. Um deles afirma ser um dos maiores do Brasil e promete receber material de diferentes fontes, além de garantir a…

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